Notícia

21 de Maio de 2020

RS terá menos soja para comercializar

A quebra de quase 50% da safra de soja em algumas regiões do Rio Grande do Sul já traz efeitos, como um menor volume para se negociar. De acordo com Argemiro Luis Brum, Professor Doutor em Economia Internacional, o Rio Grande do Sul, onde as vendas são mais lentas, nesta última safr houve um avanço significativo, atingindo, no final da primeira semana de maio a 82% do total colhido, contra 31% no ano anterior e 41% na média histórica.

Já para a futura safra, que nem mesmo foi semeada ainda, segundo a mesma fonte, até o final da primeira semana de maio o Brasil registrava 31% da mesma vendida antecipadamente, contra 8% no ano anterior na mesma data. O estado chegava a 15%, contra 2% no ano anterior. Porém, estas projeções para 2020/21 ainda precisam ser revisadas, pois há muito desencontro de informações e de dados estatísticos. Mesmo assim, diante dos preços futuros oferecidos no Estado não há dúvida de que os produtores devem negociar parte de sua futura safra, visando cobrir os custos de produção pelo menos. Isso porque, em condições futuras de normalização paulatina da economia nacional e mundial (mesmo dentro do novo normal) o câmbio deve retroceder.

O professor afirma que, o mercado cambial espera terminar 2020 com um câmbio entre R$ 4,80 e R$ 5,30 por dólar. Em a safra dos EUA, que está sendo semeada neste momento, fechando normalmente em novembro, Chicago não deve sair muito deste marasmo que se encontra (salvo acontecimentos extraordinários). Assim, na futura colheita, em 2021, o potencial de o preço da soja ser bem menor do que as ofertas atuais é bastante grande. Apenas para se ter uma ideia do que se está falando: ao câmbio de R$ 4,80, considerando a manutenção das cotações de hoje em Chicago e do prêmio atual em Rio Grande, o saco de soja no balcão gaúcho, em safra normal, viria para algo ao redor de R$ 85,00. Ainda um excelente preço, porém, bem abaixo do atualmente praticado (R$ 100,00 em média) e após uma safra com custos de produção bem mais elevados devido ao câmbio.

"É inegável que o forte aumento nos preços da soja, motivados pela grande desvalorização do Real nestes últimos três meses, acelerou em muito a comercialização da atual safra de soja, assim como as vendas futuras relativas a safra 2020/21. Quanto à última safra, segundo levantamento feito por Safras & Mercado, até o final da primeira semana de maio o Brasil já havia negociado 85% da safra, contra 55% no ano anterior e 59% na média histórica para aquela data", ressalta Argemiro.

`Em termos gerais da economia, o quadro será de muita dificuldade, com recessão econômica neste ano. Para o ano de 2021, em se dominando o coronavírus, haverá recuperação da economia, porém, se conseguirá, tanto aqui quanto no Brasil, buscar metade apenas do que se perderá em 2020. Para voltarmos aos níveis econômicos do final de 2019 (antes da pandemia), que já não eram bons, deveremos levar de dois a três anos. Neste contexto, mais uma vez o agronegócio será um elemento de sustentação para que a situação não seja ainda pior", finaliza.

Fonte: Agrolink

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