Notícia

12 de Março de 2018

Feira comercializa R$ 2,2 bilhões - Jornal do Comércio

A estiagem na Metade Sul, que infligiu perdas de cerca de 20% nas lavouras de milho e soja da região, teve reflexo nas vendas da Expodireto deste ano. A alta nas vendas no segmento chegou a 18% na irrigação, o que ajudou a garantir o incremento nos negócios no ramo de máquinas e equipamentos agrícolas. As vendas totais da Expodireto tiveram elevação de 4% ante 2017, com R$ 2,2 bilhões em negócios realizados ao longo de cinco dias, de acordo com o presidente da Cotrijal, Nei Mânica. "Tínhamos uma expectativa mais otimista (de até 20% de alta), mas acredito que o fato de o ministro Blairo Maggi (da Agricultura) ter afirmado, aqui na feira, que os juros do próximo Plano Safra seriam menores, pode ter levado produtores a adiarem as compras", avalia.

Apesar dos constantes incremento de safra, o recuo na procura por equipamentos de armazenagem reduziu o fechamento de compras. Levantamento paralelo de vendas feita pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apontou queda de 13% na venda de silos e armazéns. "O produtor direcionou recursos para a produtividade e para evitar novas perdas com a falta de chuva. Bem ou mal, a armazenagem você resolve de alguma forma, como cooperativas ou parceiros. Nós mesmos recomendamos que antes da armazenagem o produtor corrija baixas produtividades", explica Mânica.

De acordo com Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, os números da Expodireto estão dentro das expectativas. "Foi uma excelente oportunidade para as empresas demonstrarem seus produtos e os negócios iniciados em Não-Me-Toque deverão repercutir nos contratos das empresas nos próximos meses", afirma Bastos. Um dos destaques deste foram os acordos e contratos internacionais fechados na feira. Apesar de não serem vendas efetivamente realizadas, a Cotrijal comemorou contratos assinados no parque, como de R$ 329,644 milhões em vendas de commodities (soja e farelo de soja).

Mânica ressaltou que foi finalizado em Não-Me-Toque a instalação de um moinho argentino no Estado e o acordo feito por meio de uma trading de São Paulo para negociação de soja pelo porto de Açu (RJ) para o porto de Las Palmas, nas Ilhas Canárias (pertencente à Espanha). Já o fluxo de púbico, teve incremento de 10%, alcançando 265 mil pessoas, contra 240 mil pessoas contabilizadas no ano passado.

O público, por sinal, viu dezenas de políticos circularem pela feira. "Nunca tivemos tantos políticos na feira: foram três ministros, senadores, deputados federais e estaduais e muitos candidatos", destacou Mânica no encerramento do evento. O setor soube aproveitar a presença de tantas figuras do alto escalão federal para reivindicar tudo que podia. Os pleitos do setor foram desde apoio para perdão as dívidas do Funrural a iniciativas que ajudem a evitar as perdas de produtores de leite, arroz e trigo, especialmente, com a entrada de produtos de vizinhos do Mercosul.

Fonte: Jornal do Comércio

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